ENTREVISTA: Eron Falbo lança '73'

Henrique Inglez de Souza em 13.09.2013 12:10

Imagem: Plectro Productions/Divulgação

O brasiliense Eron Falbo lança seu primeiro disco, '73'. O trabalho foi gravado em Nashville (EUA), sob os cuidados de um produtor nada modesto: Bob Johnston – responsável por álbuns de Bob Dylan, Leonard Cohen, Simon and Garfunkel, Johnny Cash, entre outros. A sonoridade transita por um folk rock com chapiscadas pop. A versão digital já está disponível e a física fica para novembro. São dez faixas, incluindo uma "parceria" com John Lennon.

GP: Como você foi parar em um estúdio, gravando com o mesmo Bob Johnston que produziu Bob Dylan?

Nem tudo na vida é por acaso. Fui um pouco oportunista e um pouco sortudo. Porém, a mais profunda explicação é que ele estava esperando o disco e o disco estava esperando por ele. Eu não queria me expressar. Queria que '73' se expressasse, e só com o Johnston isso seria possível – com sua espontaneidade, experiência técnica e total negação do inautêntico. Então, o procurei e insisti até que ouvisse as canções. Assim que escutou, primeiro virou parceiro, depois mentor e agora é um grande amigo. O disco é tanto dele quanto é meu.

GP: Nem precisa dizer que os artistas com quem ele trabalhou são influências suas. O pop folk rock de '73' não deixa dúvida. Em que circunstâncias nasceu o disco?

Trabalhei com, pelo menos, dois gigantes de 1973: Bob Johnston e Tony Kosinec. Para eles e outros que trabalharam no álbum, o espírito de '73' não é algo vintage, que hoje reciclamos como moda para adolescentes. Para nós, é um ideal que ainda não atingimos e de que, às vezes, precisamos nos lembrar. Ele inclui um som humano, tocado por humanos para tocar humanos, com atenção a detalhes. Desde a produção meticulosa à intenção artística com alta expectativa do nível do público – sem denominadores comuns. Isto é, não estamos pensando no mercado, mas queremos ajudar o mercado a pensar – se possível. Se não der, trabalhamos duro para fazer uma obra que ficará para algumas pessoas seletas ouvirem. Isso, para nós, já é uma grande celebração.

GP: Como assim, há uma parceria sua com John Lennon ('I Found Out')?

'I Found Out' é uma canção bem privada do John. Mudei a letra e o "grito" para torná-la mais universal e atual. Regurgitei o que eu ouvi quando me deparei com ela pela primeira vez, aos 17 anos de idade. É uma tradição antiga fazer parcerias com pessoas mortas – vide Led Zeppelin e Robert Johnson. Hoje em dia, o processo de gravar música dos outros, ao menos de artistas norte-americanos e britânicos, tornou-se bem mais fácil. As palavras-chave são 'mechanical rights'. Um amigo me ofereceu tentar conseguir uma audição com a Yoko para mostrar a música e pedir permissão, mas o espírito de '73' é o de parcerias e o de licença poética. O Brian Wilson [Beach Boys] não pediu permissão ao Chuck Berry para incluí-lo em 'Surfin' USA'. O próprio John mudou diversas letras durante sua carreira. Em algumas, não teve nem o cuidado de colocar algo mais do que Lennon/McCartney. Se fosse uma música do Paul McCartney, eu ficaria preocupado com advogados. Mas a Yoko vai gostar, se um dia ouvir. E outra: oficialmente, isto é, nas agências de coleção, a gente só colocou Lennon como escritor. Então, a Yoko vai receber os royalties. Não quero o dinheiro dos outros. Só quis firmar a tradição do blues. [OUÇA A FAIXA AO FINAL DA ENTREVISTA]

GP: Você dividiu boa parte dos arranjos, especialmente com Bob Johnston. Muita coisa mudou entre sua ideia original e o resultado final das canções?

Sim, demais. Cheguei no estúdio tocando as músicas em voz, violão e gaita. Os caras mal ouviram as demos originais. Na verdade, cada músico colocou sua alma no projeto. Deixamos que compusessem suas partes da maneira que sentissem na jam session inicial que fizemos. Eu e o Johnston só gritávamos "Yes! Yes! Yes!". Músicos de estúdio de Nashville não estão acostumados a ter carta branca. Eles amaram, nós amamos! No final, estava muito diferente das versões originais. Por isso, o disco é "atribuído" a Eron Falbo, mas é de muita gente!

GP: O trabalho de guitarra e violão em '73' está saboroso. Fale um pouco a respeito.

Dois guitarristas monstruosos tocaram no disco. Kerry Marx, que tocou em grandes registros de Bob Dylan, Johnny Cash, Elton John etc. e fez turnê com mais nomes ainda. Ele gravou o violão flamenco de 'I'll See You Again', e compôs aquilo na hora (sem ter que tocar duas vezes). O segundo foi Martin Tomkins, que ganhou o Riffathon (campeonato de guitarra do Jimmy Page e Brian May). Quem o recomendou a mim foi o próprio Jimmy Page. O Martin era mais inexperiente, porém mais feroz também. Gravou tudo ao vivo.

GP: Onde as pessoas podem encontrar o seu álbum para comprar?

O álbum já esta disponível na internet, em todos os lugares usuais e vai chegar às lojas do Brasil dia 5 de novembro. Quem não tiver dinheiro para comprar, mande um e-mail que a gente manda um link para baixar de graça.


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