ENTREVISTA: Wolf Hoffmann (Accept)

Henrique Inglez de Souza em 04.04.2013 12:32

Imagem: Henrique Inglez de Souza

O Accept começa nesta sexta-feira (5) sua turnê pelo Brasil. Em sua segunda passagem pelo país, a lendária banda alemã de heavy metal faz shows em Curitiba (05/04), São Paulo (06/04) e Porto Alegre (07/04). Clique aqui e veja as informações.

Wolf Hoffmann (guitarra), Herman Frank (guitarra), Peter Baltes (baixo), Mark Tornillo (vocal), e Stefan Schwarzmann (bateria) promovem o álbum 'Stanlingrad' (2012).

Conversamos com Hoffmann, um dos membros fundadores. O guitarrista falou sobre tocar no país, a atual fase do quinteto e ainda adiantou uma boa novidade: eles pretendem lançar um álbum ao vivo até o fim deste ano. Será?

GP: A última vez em que conversamos foi momentos antes do primeiro e até aqui único show que o Accept fez no Brasil, em 2011. Quais são as melhores recordações daquela noite?

O Brasil é um país maravilhoso, e os nossos fãs daí são uns dos melhores do mundo. Lembro da galera cantando junto com os solos e em todas as partes das canções. Foi uma das melhores plateias com as quais já cruzamos. Tivemos uma noite inesquecível! Estamos bastante empolgados para voltar ao Brasil. Será fantástico!

GP: Foi incrível mesmo como o público cantou todas as canções, inclusive nas do então recente disco, 'Blood of the Nations'.

Sim, lembro bem de como o pessoal cantou as músicas novas. Sabe, temos fãs maravilhosos mundo afora, mas ninguém chega perto dos sul-americanos, especialmente os brasileiros, no que se refere a cantar junto. São muito especiais. Mesmo antes de o show começar, eles ficavam: "Olê, olê, olê...". Esse tipo de coisa, que me lembra muito os jogos de futebol na América do Sul [risos]. São fãs loucos, o que adoro! Bem que eu gostaria que todo público fosse assim [risos].

GP: Não há dúvida de que Mark Tornillo trouxe uma cor nova à música do Accept. Como ilustraria a banda em sua fase atual?

Bem, o que nós tentamos fazer, e acredito que conseguimos, foi tentar soar melhor e mais moderno, sem, no entanto, mudar demais [o som característico da banda]. Queríamos resgatar aquele antigo estilo de composição que sempre tivemos, só que com o incremento de um novo vocalista e um novo produtor. Acho que ficamos mais modernos como nunca estivemos, porém ainda soando como heavy metal 'old school'. De alguma maneira, Mark colaborou para isso, assim como os recursos de produção e o produtor Andy Sneap.

GP: É interessante ver o movimento que uma química musical faz. O Accept da era Tornillo parece estar focado em canções diretas e mais curtas ao invés de abordagens como 'Princess of the Dawn' ou 'Balls to the Wall'...

Sem dúvida! Não iremos mais fazer experimentos. Já sabemos muito bem qual é o nosso esquema, o que queremos e o que os fãs querem. Foi um processo legal testar direções diferentes, mas acho que nós meio que chegamos à conclusão de qual é o nicho que pertencemos e o que os fãs esperam da banda. Isso é bom.

GP: Em 'Stanlingrad', vocês tratam de temas como guerra, caos e violência, assuntos que são até comuns nos discos do Accept. Hoje em dia, qual é o significado de falar sobre isso?

Sabe, deve-se tomar cuidado em relação ao contexto para não se interpretar demais certas coisas. No final das contas, estamos apenas fazendo heavy metal. Estamos aqui apenas para entreter as pessoas. Entretanto, e ao mesmo tempo, o Accept é uma banda que nunca gostou de falar sobre assuntos sombrios, contos de fada e coisas relacionadas a fantasia. Sempre nos inspiramos mais em eventos reais, eventos políticos, coisas da sociedade e acontecimentos históricos. Neste caso, quisemos falar da batalha de Stalingrado. Não que sejamos fascinados por guerra, exatamente. É que se trata de uma história dramática da humanidade, a qual achamos que renderia ótimas canções de heavy metal.

GP: Como compara o trabalho da banda em 'Blood of the Nations' e 'Stanlingrad'?

É complicado dizer. Acho que nós tentamos mantê-los o mais próximo possível. Porém, obviamente, toda vez que se faz um disco, trata-se essencialmente de uma declaração sobre nossa vida naquele momento. Se tivéssemos que fazer um disco novo hoje, também iria trazer certas diferenças. Mas quisemos nos manter o mais próximo possível de 'Blood of the Nations', no sentido de trabalhar com o mesmo produtor, manter o mesmo som, enfim, atingir o mesmo objetivo, só que com músicas novas. Para ser honesto, não queríamos nada de diferente. Apenas fazer mais do mesmo daquele bom heavy metal à moda antiga.

GP: Qual foi o ponto de partida para 'Stanlingrad'?

A primeira música que fizemos foi 'Stanlingrad'. Compomos sempre do mesmo jeito: Peter Baltes e eu nos juntamos por algumas semanas e trabalhamos alguns riffs, conectamos ideias. Quando vemos que temos algo que possa ser transformado em música, começamos a colocar as linhas do vocal e tal. Mais tarde, passamos o material ao Mark para ele fazer o resto, e a coisa toda vira as músicas que escutamos no disco.

GP: 'Stanlingrad' é bastante orientado por riffs, sendo que a faixa-título ou 'Shadow Soldiers', 'Never Forget' e 'Against the World' são algumas das melhores. Quais vocês pensam em tocar no Brasil?

Devemos tocar a faixa-título, provavelmente 'Shadow Soldiers' e, talvez, 'Hung, Drawn and Quartered'. Às vezes, tocamos 'The Galley'. Vamos ver...
 

GP: Das antigas, se aceita uma sugestão, eu diria 'Screaming for a Love Bite'.

Sério? É legal ver como algumas canções são mais populares que outras em determinados países. Nós tocamos bastante essa música nos anos 1980. De repente, podemos resgatá-la outra vez. Boa ideia! Talvez a toquemos [no Brasil].


GP: 'The Galley' tem uma parte final bem cativante...

Sim, e essa parte, na verdade, era só uma ideia instrumental que tínhamos dando sopa. Eu a mostrei ao Andy [Sneap, produtor] e ele gostou, mas não sabíamos o que fazer com ela. Pensamos em preparar outra balada, porém, depois não achamos tão necessário ou, sei lá, não estávamos no clima para compor algo assim. De qualquer modo, achamos que poderia funcionar a sugestão de Andy, de usarmos esse trecho no final de 'The Galley' – e acho que funcionou bem.

GP: Neste ano, a Framus lançou a Wolf Hoffmann Signature. Que tal a guitarra, após alguns meses de uso?

É incrível, cara! É a melhor guitarra que já tive. O instrumento com a mais alta qualidade que já usei. É toda feita na Alemanha por essa companhia maravilhosa, Framus. Foi feita exatamente a partir das minhas especificações. Para mim, é um sonho realizado! O que eu gosto nela é o fato de meio que ser uma mistura de Flying V com Stratocaster. É muito mais do que uma Flying V convencional, e tem um som incrível! Foi feita para se tocar riffs de heavy metal, sem dúvida!

GP: 'Stanlingrad' e sua respectiva turnê promocional têm sido bem-sucedidos, o que imagino esteja sendo inspirador. Vocês já começaram a conversar sobre um novo disco?

Com certeza! Aliás, já estamos trabalhando em novo material. O processo todo de composição ainda não começou oficialmente, mas estamos nos estágios preliminares. Sem dúvida! É um processo contínuo, sabe? Se você quer lançar um novo álbum em breve, não pode parar [de compor].

GP: Estou curioso para ver um álbum ao vivo com essa formação, pois a considero um ótimo time.

Nós já fizemos umas gravações na Alemanha, em 2012. Vamos tocar em alguns festivais no meio deste ano e faremos outras gravações. Se tudo correr bem, lançaremos alguma coisa no final de 2013. Não posso prometer, mas esse é nosso objetivo.

GP: Opa, isso é ótimo!

Sim, mas é só um plano. Sabemos que há muitas pessoas esperando por um disco ou DVD ao vivo. Todo mundo está nos pedindo, você não é o primeiro. E estamos bem empolgados para fazer algo a esse respeito [segundo a assessoria da banda, o Accept gravará o show em Santiago (12/04, Chile) para transformá-lo em DVD].


[VOLTAR] Comunicar erro
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
 

CRONOGRAMA DE ENTREGA (clique para visualizar)
Prazos da revista Guitar Player - Julho / 2014
Em 04/07/2014 a revista Guitar Player foi entregue pela gráfica
aos correios (para distribuição aos assinantes) e à distribuidora
(para distribuição às principais bancas do Brasil)
ENTREGA AOS ASSINANTES (prazos estabelecidos pelos correios)
INÍCIO DAS POSTAGENS: 05/07
SUL E SUDESTE: ATÉ 17/07
CENTRO OESTE: ATÉ 21/07
NORTE E NORDESTE: ATÉ 25/07
O correio, por contrato, deve entregar a revista dentro destes prazos.
Não recebeu? Nos informe pelo e-mail sac@editoramelody.com.br
Atenção: O comunicado de não recebimento de edição só poderá ser reclamado até 60 dias após o primeiro envio da revista feito pela editora.
ENTREGA NAS BANCAS (prazos estabelecidos pela distribuidora)
SÃO PAULO (CAPITAL): ATÉ 13/07
RIO DE JANEIRO (CAPITAL): ATÉ 14/07
DEMAIS CIDADES: ATÉ 16/07
Não encontrou nas bancas? Compre pelo site sem custo de postagem:
http://www.guitarplayer.com.br/anteriores/
esconder [x]


Guitar Player Brasil - Edição #219 - Palhetas em Ação!


Assinaturas | Contato | RSS | Guitar Player U.S |
© Copyright . 1996 . 2010 | GUITARPLAYER.COM.BR - MELODY EDITORA | Todos os direitos reservados | Site desenvolvivo por Gustavo Sazes | Abstrata.net